11 Fevereiro 2012

FESTA DE IEMANJÁ
Símbolo da cultura baiana

A cada ano, em 2 de fevereiro, milhares de pessoas se reúnem no Rio Vermelho, antigo bairro de pescadores em Salvador da Bahia, para homenagear Iemanjá, rainha do mar e protetora da pesca.

A festa de Iemanjá é baseada no sincretismo religioso. Trata-se de uma homenagem ao orixá de origem africana, cujo nome deriva da expressão Iorubá “Yèyé omo ejá” (“Mãe cujos filhos são peixes”). Para os católicos, o mesmo dia é dedicado à Nossa Senhora da Conceição ou Nossa Senhora dos Navegantes, em algumas regiões do Brasil, como por exemplo no Rio Grande do Sul.

A partir da madrugada, adeptos do candomblé tal como devotos católicos juntam-se nas praias do Rio Vermelho para jogarem suas oferendas no mar ou para depositarem seus presentes em balaios, os quais são levados em embarcações às águas à tarde. A variedade de presentes é enorme, mas tradicionalmente a maioria deles está relacionada à vaidade e beleza de Iemanjá: flores, pentes, espelhos, vestes, maquiagem, jóias, bijuterias e perfumes.

É comum depois da oferenda, as pessoas participarem da vasta programação em bares, restaurantes e hotéis, que se transformam em verdadeiros camarotes. Do ciclo de festas populares, em Salvador, esta festa é considerada uma das mais concorridas. Atrai baianos e turistas de todo o mundo, que se deliciam com as comidas e bebidas típicas das barracas dos largos, ruas e avenidas do Rio Vermelho.

Ute Baumgartner
Salvador da Bahia, 11 de fevereiro de 2012

24 Novembro 2010

Mostra de Cinema Brasileiro em Salzburg

por Vivian Langer

A disciplina “Sprachspezifische Praxisorientierung Portugiesisch” (Orientação Prática do curso de bacharelado em Língua Portuguesa), do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas Românicas da Universidade de Salzburg, em parceria com o Ministério da Cultura do Brasil (MinC) e com a Embaixada do Brasil em Viena, promove de 1 a 4 de dezembro a “6ª Mostra de Cinema Brasileiro de Salzburg” (Brasilianische Filmfestspiele). A mostra, que faz parte do projeto cultural Fórum Brasil, conta com a exibição de curtas e longas metragens, além de um ciclo de palestras e debates com a presença de profissionais do meio audiovisual.
Ministrada pela Profª. Drª Eloide Kilp, a disciplina se trata de uma Oficina de Roteiro na qual será produzido um curta-metragem adaptado do diário de Stefan Zweig, retirado do livro Fragmentos do Diário (Editora Nova Fronteira, 1993). No período de 22 a 30 de novembro, os alunos realizam o roteiro, a filmagem e a edição do curta sob a direção do cineasta Eduardo Nunes e do professor e cineasta Cézar Migliorin, da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, Brasil. Serão abordadas noções de linguagem fílmica e também a questão da adaptação. O resultado será exibido no dia 1/12, quando acontece a abertura do evento.

Abertura
No dia 1/12, quarta-feira, o Prof. Dr. Christopher F. Laferl, da Universidade de Salzburg, abre a Mostra com o tema “Die Hauptstädte Brasiliens – Salvador, Rio de Janeiro und Brasília”. Em um segundo momento, a organizadora do evento, a professora Eloide Kilp, fala do projeto e exibe o curta-metragem produzido na Oficina de Roteiro.
A abertura acontece às 18h, na Sala da Reitoria (Senatssaal) da Universidade de Salzburg. O endereço é Kapitelgasse 4-6, 1. Stock, 5020 Salzburg.

Universidade de Salzburg homenageia Oscar Niemeyer
O longa-metragem que abre a Mostra no dia 1/12 homenageia o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer. O filme Oscar Niemeyer - A vida é um sopro (2007), de Fabiano Maciel, percorre a vida e obra do maior ícone da Arquitetura Moderna Brasileira. O longa conta com imagens de arquivo inéditas e depoimentos de personalidades como os escritores José Saramago, Eduardo Galeano e Carlos Heitor Cony, o poeta Ferreira Gullar, o historiador Eric Hobsbawn, o cineasta Nelson Pereira dos Santos, o ex-presidente de Portugal Mário Soares e o compositor Chico Buarque.
Niemeyer, hoje com 102 anos, foi responsável pelos Palácios da Alvorada e do Planalto, o Congresso Nacional e a Catedral de Brasília, entre mais de 400 projetos em dezenas de cidades brasileiras. No exterior, há em torno de 180 edifícios com sua assinatura.
A exibição terá legendas em inglês e tem início às 20h, no Mozartkino. O endereço é Kaigasse 33, 5020 Salzburg. A entrada é franca.

23 Novembro 2009

Recife

Escultura de Manuel Bandeira


Museus e parques no Recife

O Recife, a capital de Pernambuco, também como Salvador da Bahia, possui muitos museus e parques históricos de alta qualidade. A primeira vez que visitei o Recife foi em março no ano de 2007. Estava ainda muito quente, mas o tempo esteve ótimo para passear pelo centro da cidade e ver os rios e as pontes.

Naquela época, ainda acompanhada pelo meu professor, Iran, eu andei pela cidade e conheci muitas esculturas dos poetas recifenses. Elas estão nas ruas e nas pontes, de pé ou sentadas, como se ainda estivessem vivendo lá. Gostei muito da ideia de imortalizá-los. Algumas esculturas que encontrei foram, por exemplo, as de Joaquim Cardoso na Ponte Maurício de Nassau, Ascenso Ferreira no Cais da Alfândega e Antônio Maria na rua do Bom Jesus.

Depois atravessando a bacia portuária com um barquinho, fomos para o parque de Esculturas Francisco Brennand que está instalado sobre o molhe do porto, em comemoração aos 500 anos de Descobrimento do Brasil. Lá, encontram-se esculturas de tartarugas, de pássaros e de outras figuras mitológicas, observando o céu sobre a cidade.


Francisco Brennand é o artista que encantou o antigo Engenho São João no bairro Várzea cercado pela Mata Atlântica e pelo Rio Capibaribe, fazendo da Oficina Brennand, um espaço único e misterioso com abundância de peças exuberantes, com os jardins do Burle Marx. A visita ao museu, no ano seguinte, foi impressionante.


No caminho de volta visitei o Instituto Ricardo Brennand, um complexo formado por um castelo, uma pinacoteca e uma biblioteca em estilo medieval gótico com imensos jardins e lagos, também no bairro Várzea. O acervo cultural do colecionador Ricardo Brennand é inestimável. O castelo, o museu do Instituto, reúne a mais importante coleção de armaria do Brasil, das mais diversas origens e período de até seis séculos.


Neste ano quis conhecer mais da Mata Atlântica e fiz uma excursão com minhas amigas olindenses para o Parque Dois Irmãos. O Parque Dois Irmãos fica numa área de reserva fantástica da Mata Atlântica e tem um zoológico com mais de 800 animais de variadas espécies, cercado pela bela natureza com árvores centenárias. Lá conheci algumas aves e tartarugas que nunca tinha visto antes. Por exemplo, este mamífero que se chama “tatu”. É muito bonzinho.

Depois de ter inspirado bastante oxigênio da Mata Atlântica, no caminho de volta pelo rio Capibaribe, passei pela casa-museu Magdalena e Gilberto Freyre. O sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre (1900-1987), autor de “Casa-Grande & Senzala” e “Sobrados e Mocambos”, viveu nesta casa no bairro de Apipucos com sua família por mais de 40 anos. Agora ela é sede da Fundação Gilberto Freyre e abriga o conjunto de objetos colecionados, guardados e ordenados pela família Freyre. Essa casa-museu é repleta de obras, e o seu acervo é de aproximamente 40 mil livros e tudo é colocado como foi concebido por Gilberto Freyre. Imagens sacras católicas se confundem com peças de origem africana, azulejos portugueses com peças de arte indígena, porcelanas orientais com prataria inglesa etc.

Cheia de empolgação saí da casa-museu e fui para o Museu do Homem do Nordeste, que fica mais abaixo do rio Capibaribe. Este museu foi fundado em 1979 por Gilberto Freyre para pesquisar, documentar, preservar, difundir e atualizar o rico patrimônio cultural de Nordeste possuindo cerca de 15.000 peças de heranças culturais do índio, do europeu e do africano na formação do nordestino brasileiro. Pelo uso da tecnologia novíssima, a gente pode entrar no mundo nordestino quase real, audiovisualmente. Foi realmente muito impressionante.

Após visitar esses dois museus nordestinos, fui em busca da natureza nordestina e encontrei o Parque da Jaqueira, onde ficam os Jardins da Capela de Nossa Senhora da Conceição das Barreiras, edificada em 1766. Cercada por um belo jardim com enormes palmeiras, projetado por Burle Marx (“o Senhor dos jardins”, como Tarsila do Amaral se referia a ele), a Capela mostra sua beleza em estilo barroco. O branco intenso da capela e o verde forte do jardim faziam um contraste muito vívido e inesquecível.


O Recife ainda tem muito mais museus atraentes e parques encantadores, mas ainda não consegui visitar todos. Estou só aguardando a próxima oportunidade para conhecer mais, porque neste ano encontrei a escultura de Manuel Bandeira na Rua da Aurora na beira do Rio Capibaribe e prometi que voltarei um dia.

por Sayoko Kaschl

05 Outubro 2009

Olinda


O toque de Xangô na Nação Xambá

No dia da partida para a Europa, levantei às 5 horas da manhã e peguei um táxi para São Benedito perto de Olinda para assistir à preparação da celebração do toque de Xangô na Nação Xambá porque não podia ficar até a celebração com o público no domingo, no dia seguinte. A Nação Xambá é o único terreiro dessa linhagem que se tem conhecimento no Brasil.

Cheguei lá às 6 horas, muito ansiosa para conhecer coisas novas e fiquei aguardando meu amigo Guitinho da Xambá para sua instrução no terreiro, durante a celebração. Logo depois ele chegou e me avisou que eu não poderia assistir àquela celebração por causa do segredo religioso, mas poderia escutar fora do terreiro, se quisesse. Então sentamos no banco fora da casa do terreiro e ficamos escutando juntos. Entretanto meu amigo me explicou detalhadamente o que estava acontecendo no salão do terreiro.

Explicou-me que a celebração do toque de Xangô já tinha começado na quarta-feira de madrugada e todos os dias havia preparação até o toque no domingo. O toque dura das 16 h até as 20h. O salão estava arrumado com o cheiro gostoso de cominho (tempero para comida) que chegava bem até onde estávamos sentados. Disse que os filhos de santo não deviam falar na sala de entrada até entrarem no terreiro e cumprimentarem os outros filhos de santo.

O toque começou e ele me disse que as crianças estavam tocando na preparação para praticar com os adultos. Eles começam a tocar tambor “ilú” com 4 ou 5 anos de idade. O primeiro toque com canto era para Exu limpar o terreiro e o caminho. O segundo era para Ogum e a seguir para outros Orixás. A sequência dos orixás são sempre Exu, Ogum, Odé (Oxossi), Nana, Bêji, Obaluaiê (Omolu), Ewá, Obá, Xangô, Oyá (Iansã), Afrekête, Oxum, Yemanjá, terminando com Orixalá. Disse que os cantos são 90 por cento na língua Yorubá e outros são na língua misturada com português.


Enquanto escutávamos o toque de Xangô com canto, os galos eram preparados para o sacrifício. Diz-se, na madrugada da quarta-feira também é sacrificado um bode ou uma cabra. Xangô é o Orixá da Justiça, dos raios, das pedreiras e do trovão. O seu símbolo e ferramenta é o machado duplo, suas cores são vermelha e branca e o sacrifício para ele é galo, carneiro, etc. Na Xambá, a cor da camisa é rosa, diferente das outras nações que é vermelha e branca, mas a guia de Xangô na Xambá é vermelha e branca.


Durante os toques as pessoas podiam tomar e comer algo, já que o toque durava quase 4 horas e os adeptos dançavam até seu transe. Fui convidada para um café e saboreei algumas das batatas doces cozidas. Eram muito gostosas. Também havia um prato de milho cozido, um prato de salsichas e pães. Todo mundo era muito gentil e hospitaleiro e eu gostei muito deste convite tão carinhoso. No outro lado do quarto as mulheres faziam um bolo grande e quadrado com cobertura branca para o próximo dia. Parecia muito delicioso!

Por sorte, por volta do fim da celebração fui convidada para entrar no salão do terreiro e pude presenciar esta celebração por um momento, pelo qual agradeço muito a todo mundo no terreiro e especialmente a meu amigo, Guitinho da Xambá. Dançando lá com a batida dos tambores “ilús”, junto com os filhos de santo com roupas bonitas nas cores dos seus Orixás, pude perceber muito forte a seriedade e o respeito desse povo por sua cultura. Com certeza, o toque de Xangô no domingo deve ter sido um bom toque para todos.

por Sayoko Kaschl

Mais informações : http://www.xamba.com.br
Fonte da foto de Xangô : http://ilarioba.tripod.com/orixas.htm

05 Setembro 2009

Caruaru




Uma viagem para Caruaru na época da festa junina


Logo que cheguei a Olinda, percebi alguma coisa diferente. Quando estava em Olinda antes, ainda via sempre muitas fitas com a cor já apagada em todos os lugares que mostravam que o carnaval já tinha passado. Mas nesta vez encontrei muitas bandeirinhas em várias cores fortes presas numa corda que decoravam as ruas, as lojas, os restaurantes e também os correios.


Depois, visitei o Recife, uma cidade maior perto de Olinda, e vi muitas barracas nas ruas e nas praças vendendo vestidos bonitos e multicoloridos para crianças. Também escutava música típica do Nordeste, “Forró”, em todo lugar. Às vezes encontrava um grupo tocando este estilo de música muito alegre com zabumba (tambor grave), sanfona (acordeão), e triângulo, cantando sobre a natureza e a vida nordestinas e naturalmente sobre amores diversos. Suas melodias são às vezes melancólicas, mas o ritmo é sempre vibrante.



Junho é o mês de começo do inverno. Chove bastante e não é quente. Porém quando o sol aparece, o calor volta e o ar fica abafado. Neste momento é que que a gente sente o crescimento rápido e gigante das plantas. Sentindo a energia da mata, no dia 6 de junho, num sábado, parti da estação rodoviária do Recife para Caruaru no interior de Pernambuco. Durante a viagem, o panorama pela janela do ônibus mudava gradualmente. Quando subíamos serra, a vegetação ficava mais baixa e no lugar de palmeiras densas observávamos os cactos como o mandacaru e árvores baixas na paisagem ondulada. Além disso, a temperatura caía gradualmente, porque Caruaru fica a 500 m acima do mar e a 135 km a oeste do Recife.

Depois de 2 horas de viagem, cheguei a Caruaru, uma cidade pequena com uma população de 290.000. Ainda à tarde passeei na feira livre, onde acontecem shows de forró à noite. Havia várias barracas de jogos, vendas de comidas, exposições culturais e pistas de dança. Na praça da feira fica também o Museu do Forró, onde tudo sobre Luis Gonzaga, o rei de forró, está exposto: seu chapéu e suas roupas típicos do nordeste, seus instrumentos musicais, discos, muitas fotos e etc.



Os shows começaram às 10 horas da noite. Os músicos naquele sábado foram Gilvan Neves, Alcymar Monteiro, Targino Gordim e Geraldinho Lins. Apesar da garoa, quando cheguei lá, muita gente já estava dançando sem preocupação com a chuva. O primeiro grupo já estava tocando em um dos 2 palcos. As pessoas se divertiam com a música bombando até fora da praça e com as bebidas e comidas típicas nordestinas como carne seca e macaxeira frita, até cedo de manhã no próximo dia quando o último grupo acaba.



No dia seguinte, estando ainda muito cansada, visitei o Alto do Moura, onde ficam muitas lojas, oficinas de figurinha de barro e a Casa-Museu do Mestre Vitalino Pereira dos Santos, o grande ceramista de artesanato, no morro a 8 km de Caruaru. No museu estavam expostos as fotos antigas, móveis e utensílios, suas ferramentas de trabalho e o forno. Ele era também conhecido como tocador de pífano (flauta nordestina) e tinha uma banda, Zabumba Vitalino. Este ano é o centenário do seu nascimento (1909-1963) que foi celebrado na festa de São João.


Por causa da noite muito curta, dormi bem no ônibus para o Recife, sonhando com aquelas figurinhas de barro pintadas nas cores tão alegres.


por Sayoko Kaschl


Mais informação e a fonte da foto "Família de retirantes" : http:ceramicanorio.com