Entrevista com a Professora Margarida Pinto do Amaral
por Sayoko Kaschl
P: Profa. Margarida Pinto do Amaral, eu ouvi falar que a senhora já mora e trabalha há muito tempo em Salzburg. Poderia falar um pouco sobre a senhora mesma?R: Sim, já cá estou há aproximadamente 30 anos. Eu vim cá estudar, na universidade de música Mozarteum, pedagogia musical e de dança no instituto Orff e logo que acabei o curso fui convidada pelo diretor do instituto para cá ficar como professora e aqui estou há 28 anos ensinando neste instituto.
P: A senhora gosta da música? Também toca algum instrumento musical?
R: Sim, gosto imenso de música, mas não sou especializada em música. A minha especialização é no campo da dança, porque já tinha tirado outro curso em Portugal. Eu estudei Pedagogia, Dança e Ciência da Motricidade Humana (terminologia antiga: Educação Física) em Portugal. Gosto muito de música, até porque a dança relaciona-se muito com a música e os estudos neste instituto também é uma combinação de música e de dança. Os meus conhecimentos musicais são suficientes para dar apoio à dança.
P: Macau tem dois concelhos, o concelho de Macau e o concelho das ilhas. De qual concelho a senhora é?
R: Eu sou naturalmente do concelho de Macau. Macau tem duas ilhas, Taipa e Coloane. No meu tempo, as ilhas de Taipa e Coloane eram pouco habitadas e nós íamos lá fazer piqueniques. Mas hoje em dia as ilhas estão com imensos hotéis e são mais povoadas, porque é uma zona muito mais verde e mais relaxante também.
P: Poderia falar mais um pouco sobre Macau? Se a gente viajar para o Macau, o que é que se deve ver ou fazer lá?
R: Macau é uma cidade de 28km² e tem meio milhão de habitantes e, portanto, a população é muito grande para uma superfície tão pequena.
Macau é conhecida em todo mundo como a “Las Vegas do Oriente”. A atracção do turismo de Macau é essencialmente o jogo do azar ou da sorte, consoante a perspectiva do observador.
No campo cultural podemos constatar uma grande influência portuguesa, imensos prédios de arquitectura portuguesa dos séculos passados, e simultaneamente muita influência da cultura chinesa. Nos últimos dez ou vinte anos, a cidade de Macau modificou-se muito e algumas das casas, palácios e palacetes do século XVI foram destruídos. Agora há quase só arranha-céus.
P: A senhora não estava em Macau, quando aconteceu a devolução no ano 1999. Mas talvez poderia nos contar o que mudou depois da devolução, por exemplo, a língua ou o sistema monetário?
R: Estava cá e não sei bem exactamente os pormenores dos acontecimentos da altura. No entanto, já estive em Macau depois da devolução e o que eu eu acho é que a grande diferença neste momento são as leis chinesas, elas não são mais portuguesas! Os habitantes macaenses, ou melhor, aqueles de nacionalidade portuguesa, não têm as regalias que tinham dantes, porque são considerados estrangeiros. É claro, que as pessoas habituadas a falarem mais o português e a terem uma sociedade portuguesa com quem o contato era maior está desaparecendo. Actualmente, tudo está diferente porque a sociedade predominante e privilegiada é a chinesa.
Quanto ao fator económico, o monopólio do jogo agora está descentralizado e são mais sociedades a explorar o jogo.
O sistema monetário, continua a ser a Pataca, e depende sempre do dólar americano.
P: A gente em Macau fala diversas línguas. Quais línguas a senhora fala?
R: Em Macau nunca se falou muito português. Só um pequeno grupo de portugueses, que faziam parte da administração portuguesa , os militares e os habitantes de Macau que estudavam português é que falavam português . Depois da entrega de Macau à China, o número de falantes de português é muito pequeno. Os habitantes de Macau tentam falar português, mas falam mais um tipo de Patuá, uma mistura de português, chinês e malaio.
Fala-se inglês, português, chinês e patuá como disse. O chinês de Macau é o dialecto cantonês. A língua oficial hoje é o mandarim. Eu falo cantonês, mas estudei um pouco o mandarim. O mandarim é muito diferente, quanto uma outra língua, mas a escrita é a mesma. Eu falo português, inglês, cantonês, italiano, alemão, espanhol e francês.
P: Qual é a língua que os alunos falam na escola?
R: Depende do tipo de escola: há escolas portuguesas, escolas inglesas e escolas chinesas. Os que estudavam inglês seguiam os estudos universitários em Inglaterra ou nos Estados Unidos; os que estudavam português, seguiam depois os estudos em Portugal e os que estudavam chinês seguiam os estudos em Taiwan ou em Hong Kong. Hoje há também em Macau uma universidade. (http://www.umac.mo/).
P: A gente de Macau gosta de viajar para a Europa?
R: Os macaenses estão sempre em viagem. Todos os conhecidos e amigos de Macau viajam duas ou três vezes por ano, não só para a Europa mas também para os outros países da Ásia e também da América como, por exemplo, os Estados Unidos e o Canadá.
Uma viagem para Hong-kong dura apenas 45 minutos.
Os macaenses que se encontram na Europa estão quase todos reformados e têm casas em Portugal e também em Macau. Razão porque viajam tanto.
P: A senhora tem alguma possibilidade de ler os jornais e revistas em português em Salzburg?
R: Normalmente não compro nem jornais, nem revistas portuguesas, até porque hoje em dia com a internet posso entrar em todas os sites. Além disso, tenho também o canal português. Se o jornal “Folha de Salzburg” aparecer na internet, vou lê-lo com muito gosto.
Muito agradecida.

1 Comments:
Olá Maggie!!! COmo está? Sou Virginia Costa Matos. Que felicidade tão grande ver a sua fotografia. Estudámos juntas no ISEF.
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